O que seria de nós sem as ajudas do Governo?
Viveríamos numa idade de ouro.
Assisti hoje a uma sequência de notícias num canal de televisão subsidiado pelo Estado (são todos, directa ou indirectamente) verdadeiramente assombroso. Cinco reportagens sucederam-se, sem intervalo para anúncios, e sem qualquer explicação pelo meio:
Primeira: as notícias da guerra, mais especificamente a guerra “libertadora do povo iraniano”. Aparentemente, os bons bombardearam as refinarias do Irão (o que é bom), mas o Irão (que são os maus) bombardearam as refinarias de gás natural do Qatar, e isso é mau. Muito mau, até, porque vai fazer subir os preços.
Segunda: O preço dos combustíveis vai aumentar. Presumo que tenha a ver com o bombardeamento pelos maus da refinaria de gás (porque os combustíveis aumentam por culpa dos maus), apesar de, na minha cabeça, a gasolina não ser feita a partir de gás. Mas adiante. As pessoas estão zangadas e preocupadas, e não entendem estes aumentos, e acham que “o Governo tem que fazer qualquer coisa”.
Terceira: Além dos combustíveis, a alimentação também está a aumentar. Parece que o problema é o aumento dos combustíveis, apesar de o preço da carne de vaca estar a aumentar há vários anos. Os iranianos já devem andar a boicotar os nossos preços da carne de vaca há vários anos. Ou será o Putin? Tanto faz, porque eles são amigos uns dos outros.
Quarta: O BCE prepara-se para controlar a subida da inflação. Depois de todas estas más notícias, finalmente temos o apoio dos nossos líderes europeus para nos ajudar a “travar o aumento do custo de vida”. E como pretendem fazê-lo? Da forma que os Bancos Centrais podem, aumentando as taxas de juro, o que irá provocar, provavelmente já em Abril, um aumento das prestações das habitações.
Quinta e última reportagem: A Comissão Europeia e o seu assessor António Costa (presidente de uma coisa qualquer que ninguém sabe o que é) “estão preocupados”, e pretendem “flexibilizar os apoios”. Bem hajam.
Portanto, se eu entendi bem, os nossos gloriosos líderes europeus (eleitos por pouco mais que 400 votos de outros tantos deputados europeus) pretendem distribuir ainda mais dinheiro grátis para “ajudar” as pessoas.
Este dinheiro virá certamente dos nossos impostos. Como os comunistas ainda continuam pretender que sejam os ricos a pagar a crise, isso quer dizer que ainda não são os ricos que a pagam. O que faz sobrar apenas os pobres para pagar a crise, através dos seus impostos, o que certamente não é ideal, porque já são os pobres que estão a sofrer com a crise.
Outra forma de pagar a crise e estes apoios é obviamente imprimir mais dinheiro. Ao imprimir dinheiro, os nossos líderes aumentam a inflação. Para fazer baixar a inflação, ao mesmo tempo que imprimem mais dinheiro, o que fazem é tentar reduzir o consumo de dinheiro, ou seja aumentam os juros, para que passemos a ter que pagar mais pelos nossos empréstimos, e assim ficar com menos dinheiro para luxos como carne de vaca ou gasolina.
Obviamente, e por sorte, a gasolina e a carne de vaca estão mais caras, o que também nos irá permitir mais rapidamente atingir as metas da inflação do BCE, algo de absolutamente necessário, se quisermos continuar a ter a economia vibrante que temos na Europa, para que possamos também continuar a apoiar a guerra pela Liberdade da Ucrânia, um país que é indubitavelmente um dos baluartes da Europa.
Sabemos também que ninguém irá morrer de fome, porque caso haja pobres, eles serão todos “apoiados” com uma ou duas carcaças e umas latas de atum (importado da Mauritânia), pagos com o tal dinheiro dos impostos dos pobres que ainda vão pagando a crise que sabemos foi provocada pelos iranianos que não querem deixar as mulheres andar na rua, e pelos russos que nos atacam com máquinas de lavar.
Obviamente, isto são pequenos desconfortos que temos que aceitar, se queremos libertar as mulheres iranianas, Israel, a Ucrânia, salvar o mundo do colapso ambiental, os ursos polares e o lince da Serra da Malcata.
Persia Delenda Est!!!


